quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Omoloko

 Bom dia, boa tarde, boa noite irmãos de fé!

Hoje vou falar um pouco sobre essa nação tão bonita e que, há pouco tempo venho conhecendo: a nação Omoloko.

O Omoloko é uma nação, assim como Ketu, Efan e Fon. Tem sua forma própria de culto, agregando ao culto dos orixás o culto dos nossos ancestrais direto, ou seja, caboclos, boiadeiros, exus e pombogiras. Embora haja muitas divergências sobre a origem do Omoloko, eu abordarei aqui a rama de Tata Tancredo (Tancredo da Silva Pinto - 10/08/1904-01/09/1979).

Tata Tancredo foi, em meu breve entendimento, o maior difusor da nação Omoloko. Além de ser o fundador da Federação Espírita de Umbanda com a qual rompeu em 1952, Tata Tancredo foi também um dos maiores defensores de que a umbanda é africana porém, devido a um embranquecimento da cultura, muitos alegavam que existiam "2 tipos" de umbanda: a "umbanda branca" de Zelio de Morais, que não aceitava o uso de atabaques, o sacrifício animal e nem qualquer tipo de mistura com o candomblé; e a "umbanda africana", uma umbanda mais popular e que resgatava as raízes ancestrais do povo.

No culto Omoloko há o culto aos orixás como já falei anteriormente, mas também há o culto e presença muito forte do caboclos, pretos velhos, exus, baianos, boiadeiros e etc. As divindades possuem, geralmente, nomes iorubás ou congo-angola. Os "Orukó" (nomes dos santos) são dados através de consulta ao jogo de búzios! Sim! No Omoloko se utiliza o jogo de búzios para verificar o orixá dos filhos de santo. Os assentamentos dos orixás são muito semelhantes aos utilizados no candomblé, os exus normalmente são "assentados" com argila e, o período de recolhimento também é semelhante ao do candomblé ketu, não sendo menor que 3 dias.

O interessante é percebermos que, mesmo com tamanha semelhança com a ritualística do candomblé o Omoloko mantém sua ritualística própria quase que intocada por bem dizer. Mesmo com o passar dos anos, a cultura e ritualística difundidas por Tancredo se mantém ainda muito vivas até os dias atuais e, embora esteja se tornando cada vez menos frequente vermos uma casa de Omoloko, as que ainda resistem e persistem em sua caminhada mantém incólumes os ensinamentos herdados de seus antecessores.

E se você tem interesse em conhecer um pouco mais sobre essa nação tão linda, deixo abaixo alguns links que vão te ajudar a conhecer históricamente um pouquinho mais:

https://www.ufjf.br/bach/files/2016/10/WALERSON-FERNANDES-DA-SILVA.pdf

https://templopanteranegra.com.br/umbanda-omoloko/

https://templopanteranegra.com.br/umbanda-omoloko/tata-tancredo-da-silva-pinto-pequena-biografia-do-fundador-da-umbanda-omoloko/


Muito axé pra todos nós e até a próxima!

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Discussão literária IV

 Bom dia, boa tarde, boa noite irmãos de axé!



Voltamos à ativa e agora, seguindo o plano de publicar um post bacana por dia!

Nessa pegada, seguimos com a nossa dissecação do livro O Candomblé Bem Explicado, de Odé Kileuy e Vera de Oxaguiã.

Hoje falaremos um pouco sobre as principais nações que formaram as religiões africanas no Brasil.

Sabemos que, durante o processo de colonização aqui da nossa "Terra Brasilis" foram trazidos escravos de diversas regiões da África. Algumas dessas etnias que aqui aportaram, com o tempo foram extintas ou esquecidas porém, as etnias bantu, yorubá e fon foram as que prevaleceram durante o período de colonização e que, de fato, contribuíram para a formação das religiões de matriz africana no brasil.

Todas essas nações tinham suas diferenças. Comportamentos, vestimenta, linguagem... Tudo isso, em meio ao processo de escravização que era sofrido foi fator determinante para a construção de um movimento religioso que visava remontar à fé praticada em terras natais.

Aqui eu vou me valor da denominação contida no livro em questão para designar as etnias que aqui se fixaram. Usarei o termo iorubá para falar da nação que engloba todas as que cultuam orixás como Ketu, Ijexá, Oyó, Efan e etc.; Fon substitui o termo jeje para denominar os que cultuam os voduns como os de Benin, Abomey, Savalu, Ewes e etc.; Ficando somente o termo bantu que, de todos, foi o único que não recebeu nenhuma denominação pejorativa.

Referente aos termos pejorativos, o nome nagô era utilizado pelos Fons como forma de escárnio aos adversários que invadiam suas terras ou então que chegavam escravizados como troféus, vindos de territórios iorubás. Este nome abrange toda a cultura dos povos do sudoeste da Nigéria porém, sem nenhuma conotação histórico-geográfica e nem política. Ao chegar aqui no Brasil esse termo foi, principalmente, assimilado pela nação ketu.

Já o termo jeje ou adjeji vêm do iorubá e significa "forasteiro ou estrangeiro". Também foi uma forma encontrada pelo iorubás para afrontar os povos fons. Sabe-se porém que, não existe nenhuma nação chamada jeje na África. Aqui no Brasil, jeje é o candomblé formado pelos povos fon e ewe advindos do Benin, Daomé, Togo e Gana.

Na vinda para o Brasil, muitos desses povos que eram inimigos entre si foram obrigados a se irmanar para sobreviver, produzindo assim um sistema religioso próprio, muito diferente do existente na África porém, adaptado de forma que não se perdessem séculos de uma religião tão antiga quanto, talvez, os primeiros habitantes da terra.

Para não ficar um texto muito extenso e maçante, vou finalizar esse primeiro momento e volto com a parte II.


Gratidão e muito axé a todos!

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Xaorô, Contra-egum, Umbigueira e Mocã. Você sabe para que servem?

 Bom dia, boa tarde, boa noite irmãos de fé!

Decidi trazer nesse post um dos assuntos que, muitas das vezes ficam rodeando a cabeça dos noviços: o uso do xaorô, contra-egum, umbigueira e mocã.

Sabemos que, muitos abians e até mesmo iaôs não sabem ou não entendem o porquê do uso desses "instrumentos" tão necessários nos períodos de obrigações, iniciação e também para alguns tipos de ebós. Esses instrumentos têm a finalidade de proteger o adepto das energias negativas que podem vir a atacá-lo.

Falaremos um pouco sobre cada um desses instrumentos abaixo.


O Xaorô


O xaorô consiste em uma tira de palha da costa trançada tendo preso um guizo a esta. É utilizado em honra a Yemonja e Obaluaiê.

Conta o itan que, ao ser "abandonado" por Nanã nas margens da praia o pequeno Obaluaiê tinha seu corpo todo coberto por chagas. Essas chagas eram devido às mordidas dos caranguejos e também devido ao fato de que o mesmo era uma criança muito fraca e pequena, havia também ficado muitos dias ali exposto ao sol e às variações de temperatura do ambiente marítimo o que acabou por deixá-lo em estado muito delicado, quase à beira da morte.

Yemonja passeando pela praia encontra o pequeno, em estado lastimável, e o socorre. Leva-o para seu reino e cuida de suas feridas, envolve-o em palha da costa e limo da costa para que suas feridas cicatrizem, lhe dá de comer e, posteriormente o faz tão rico quanto ela própria dando a ele pérolas e demais riquezas.

Enquanto Yemonja dispendia cuidados para com o pequeno Obaluaiê, o menino se mostrava arredio e um tanto quanto rebelde. Escondia-se dela nas margens da praia em meio ás árvores, e ela por vezes voltava para casa sem sequer saber aonde o menino havia se enfiado.

Para se poupar de tamanho trabalho e garantir que o menino tivesse os cuidados necessários, Yemonja confecciona duas tiras de palha da costa trançada e amarra a elas alguns guizos. Feito isso, ela aproveita o momento de sono do menino e amarra aos tornozelos da criança para que, se ele fugisse novamente, fosse mais fácil de encontra-lo devido ao barulho que faria quando ele se locomovesse.

Sendo assim, o xaorô serve como um instrumento de dupla utilidade. Para localização do noviço aonde quer que ele vá, mas também como forma de proteção uma vez que o barulho dos guizos afasta os eguns de perto de quem utiliza os xaorôs.


O Contra-egum


Como o próprio nome já diz, o contra-egum tem a finalidade de afastar os espíritos dos mortos (eguns). É confeccionado de palha da costa trançada e amarrado nos braços do noviço, quase próximo aos ombros. Sua função é proteger os membros superiores das energias negativas, da aproximação de ajés (bruxas), eguns (almas dos mortos), oxôs (feiticeiros) e ajás.


Umbigueira



A umbigueira assim como o contra- egum serve para proteger o corpo do iniciado das energias negativas porém, a umbigueira têm a função específica de proteger o chakra umbilical. É importante agregar aqui que, esse chakra é relacionado à vida e á reprodução logo, protegê-lo das energia negativas é extremamente importante não só no período iniciático mas também, durante toda sua vida.

Na maioria das vezes quando você se sente esgotado energeticamente, pode ser um significado que seu chakra umbilical está aberto demais o que ocasiona a perda de energia positiva reguladora e entrada excessiva de energias aleatórias, inclusive energias negativas.


O Mokan ou Mocã


O Mokan ou Mocã é um cordão longo, feito de palha da costa trançada e com duas pontas como "vassourinhas" em suas metades superior e inferior. Simboliza a ligação do orum com o ayê, do iniciado com o seu orixá.
O uso do mocã é EXCLUSIVO dos iniciados para orixá. Todo iniciado deve utilizar seu mocã ininterruptamente e acompanha este durante todo seu período de iaô. Infelizmente, nos dias atuais é cada vez mais difícil ver os iniciados utilizando seu mocã, talvez por falta de rumbê, talvez por falta de compreensão do significado desta peça tão importante para nós do candomblé.
O mocã acompanhará o iniciado desde o momento de sua iniciação para orixá até o momento de seu retorno para o orum.


O mais importante aqui é lembrar que todas essas peças são de extrema importância em nossa ritualística, uma vez que juntos constituem a proteção completa para o corpo do iniciado formando assim uma "cruz" de proteção por bem dizer, que engloba todos pontos vitais, de entrada e saída de energia do corpo do indivíduo.

Espero que tenham gostado desta breve elucidação sobre o motivo da utilização destas peças!

Abraços a todos e muito axé!


domingo, 24 de outubro de 2021

Discussão literária III

 Bom dia, boa tarde, boa noite irmão de fé!



Prosseguiremos paulatinamente com a nossa discussão sobre o livro O Candomblé Bem Explicado. E como se trata de um livro bem extenso, não só no que diz respeito à temática do candomblé mas também ás passagens históricas sobre o "surgimento" da religião em nosso país, decidi, até mesmo para não ficar muito maçante a leitura, ir dissecando o livro através das pequenas partes que compõem cada capítulo.

Nesse post falaremos sobre as dificuldades que o povo do santo teve e tem até hoje para ter reconhecimento da sua fé enquanto religião e sobre a ação do sincretismo religioso. Decidi falar sobre esses dois temas conjuntamente pois acredito que os dois estão intimamente ligados.

É importante ressaltar que, os negros que aqui aportavam eram catequisados no intuito de que esquecerem de seus deuses e de sua fé. Eram oprimidos pelos senhores brancos, pela igreja católica e pela sociedade luso-brasileira para que se esquecessem dos seus "demônios", seres esses que nem espaço têm dentro do seio de nossa religião uma vez que não existe a representação do mal e nem do inferno que tanto prega a igreja católica.

Essa perseguição aos cultos de matriz africana realizada pela igreja acontece desde tempos idos, uma vez que houveram as famosas Cruzadas aonde tudo aquilo que fosse diferente daquilo que o clero pregava era perseguido, destruído, excomungado, torturado, queimado...

E conosco não seria diferente!

Por este motivo o negro aportado aqui se viu na iminência de ter que "arrumar um jeito" para se conectar com as suas divindades. E essa forma foi o sincretismo religioso! Vincular suas deidades aos santos católicos foi muito útil à época pois, somente dessa forma era possível que nossos ancestrais se comunicassem com seus deuses sem tanta importunação dos brancos. Cabe ressaltar neste parágrafo que, "o sincretismo foi extremamente útil e necessário há 300 anos atrás"... hoje ele já não nos cabe mais, embora ainda hajam muitos remanescentes em nossa vivência atual.

Graças a muitos babalorixás e yalorixás como Maria Neném, João da Goméia, Pai Bobó de Oyá, Gisele Omindarewa entre tantos outros que lutaram e lutam pelos nossos direitos até os dias atuais, é que podemos utilizar nossos fios de conta e nossa indumentária religiosa em público, pois somos amparados pela constituição brasileira, mais especificamente pelo art. 208 do Código Penal, art. 5º da Constituição Federal e o art. 215, parag. 1º da Constituição Federal. Graças à esses senhores e senhoras não é mais necessário o uso do sincretismo, graças à essa luta não precisamos mais temer sermos rechaçados, presos e afins devido à professar nossa fé publicamente.

"O sincretismo distorceu o candomblé, reduzindo a dimensão e a grandiosidade das nossas divindades. Ao mesmo tempo, pretendeu transformar as religiões de matriz africana em politeístas, ou seja, adoradores de vários deuses. Tentaram transformar nossas divindades em "deuses", ignorando Olorum/Olodumare, "Senhor Supremo e Absoluto de todas as coisas", nosso Deus e a divindade criadora para ou yorubás!" (in O Candomblé bem Explicado, p. 36)

Embora ainda enfrentemos muitos percalços no caminhar da nossa evolução religiosa, hoje sabemos que as pedras que tiveram em nosso caminho no passado foram sábia e arduamente utilizadas para construir a estrada que caminhamos hoje. Que saibamos honrar e respeitar a estrada que pisamos hoje, que saibamos agradecer à luta que foi e ainda é travada para que possamos caminhar mais leves e tranquilos.

Gratidão e muito axé e luz pra todos!

sábado, 23 de outubro de 2021

Sobre renascer...

 Bom dia, tarde, noite irmãos de axé!



Do seio de Onilè eu renasci...
Em seu infinito amor maternal, Onilè me acolheu em seu útero sagrado, me embalou e me gerou. Em seu abraço maternal, ouviu minhas súplicas, secou minhas lágrimas e me compreendeu.

Quando meu corpo esteve cansado, me deitou em seu colo de mãe e me embalou até que minha cabeça esquecesse de tudo e, enfim, adormecesse. A sábia mãe terra cuidou carinhosamente da minha geração, e mesmo sabendo que acolhia em seu seio um ser feito de ar e água, não mediu esforços para que eu nascesse e se entregou enquanto eu, só sentia profundamente seu amor maternal.


Fui embalada, chorei, sorri, refleti... Em um pouco tempo que para mim foi muito, revi e revivi minha vida. Meus erros, meus defeitos, minhas qualidades. Tudo isso eu vi de perto e a fundo e descobri que, naquele momento eu estava ressurgindo! Me curei e também liberei a cura para todos os meus. Entendi minha ancestralidade. Entendi que ali começava uma nova vida. Ali entendi que o passado é algo que de fato não podemos mudar, mas que podemos mudar, mas que temos sempre uma nova página no livro da vida para fazer um amanhã melhor.


Nasci! No dia 16/10/1988 às 15:15 eu nasci. Do ventre da minha mãe, que me guardou durante 40 semanas, e que me guarda na alma até hoje... Que mesmo com todos os meus erros e defeitos, eu tenho a certeza que me ama e que se esforça para entender minhas escolhas.
E no dia 16/10/2021 eu NASCI! Nasci para o sagrado, para a minha família de axé e para o meu orixá. Nasci para uma nova vida, para ser alguém muito melhor do que eu já fui, para me mudar e consequentemente mudar o mundo ao meu redor.


O único sentimento que consigo expressar é amor! Sou inteira amor!

E todas as vezes que eu escrever, falar ou lembrar do dia 16/10 sempre será com muita alegria! Alegria por ter tido uma nova oportunidade, alegria por ter NASCIDO, alegria por fazer parte de uma família, alegria por saber que sou imensamente amada, alegria por ter ao meu lado pessoas que me ouvem, orientam e aconselham.

Nascer para o sagrado foi e sempre será a melhor escolha da minha vida. Muito mais que um desejo do coração, uma necessidade da alma, algo que sempre esteve muito além de mim! Algo que veio e permanece no sangue. Um sangue ancestral, que trouxe pra mim a força da crença de que algo muito maior que eu está a me guiar, proteger e orientar.

E que você que leu até aqui consiga sentir uma parcela desse amor que me inunda a cada momento, e que eu consiga passar a você que me acompanha o tanto de gratidão e felicidade que existem dentro de mim.

"Sou filha do grande rei branco, minha alma é leve como vento e clara como a água. Sou do santo, sou de axé. Carrego na alma a resistência, a resiliência e o amor de todo um povo. Sou filha de Osàálá!"

Gratidão!

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Momentos finais... pt. 2

 Bom dia, tarde, noite a todos!

A benção e que Oxalá abençoe sempre todos vocês.


É meus queridos... esse último mês, esses momentos finais por vezes se mostram para o noviço como um verdadeiro "mar de fogo". São detalhes que precisam ser resolvidos, é dinheiro que falta, são itens que não conseguimos encontrar, enfim, diversas coisas que testam o físico e principalmente o emocional do noviço.

Como é de se saber tudo está absurdamente caro nos tempos atuais! E se antigamente já era complicado se iniciar ou pagar sua obrigação de ano, imagine agora com tudo estando pela hora da morte. O noviço que está prestes a se iniciar precisa "correr gira" como diziam os antigos, pesquisar preço, ir de loja em loja e às vezes até sair da sua região para tentar encontrar preços mais acessíveis.

Digo a vocês que esses dias derradeiros não tem sido fáceis, pelo menos, não pra mim! Estou muito preocupada pois, mesmo economizando bastante o dinheiro não deu para adquirir todos os itens necessários. Ainda estou na batalha porque até o dia 6 de outubro ainda tem muita água para rolar, e uma coisa que não me falta é fé no meu santo, no sagrado e força de vontade.

Acredito que o pior para um noviço é quando ele não tem apoio. No meu caso, minha família inteira é católica e muito sequer fazem um pequeno esforço para tentar compreender as religiões de matriz africana. Taxam como "demoníaca", "sem futuro", entre outros adjetivos que não cabe citar aqui...

Eu sou casada e tenho 2 filhos e, o único que não me julga é o meu companheiro mas acreditem, para mim o pior é não ter a compreensão da minha mãe. Irei me recolher no dia 8 de outubro, e nessa fase final tentarei sentar e conversar com ela sobre. Não espero que ela aceite ou entenda, mas gostaria que pelo menos ela respeitasse a minha escolha religiosa.

Confesso a vocês que meu coração está em frangalhos. São muitos problemas e muitos questionamentos que tenho vivido e que, por vezes não acho resposta. A única coisa que me ajuda a me manter firme é a fé.

Fé que meu orixá não me abandona, fé que ele me ouve todas as vezes, fé que mesmo sem eu merecer ás vezes, ele me mostra a solução. Tenho medo que se me for tirado isso eu não suporte.

Já passei por tanta coisa e em todos os momento eu pude sentir meu orixá e meus guias ao meu lado. Hoje sei que fisicamente caminho sozinha, mas espiritualmente eu tenho muitos que caminham comigo.

Espero que vocês torçam por mim e façam votos de saúde e paz!

No mais, quem puder me auxiliar de alguma forma eu ficarei extremamente grata.

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Gratidão!


domingo, 4 de julho de 2021

Momentos finais parte 1 - Julho


Bom dia, boa tarde, boa noite meus irmãos de fé.

É... estou chegando na reta final meus amigos. Entramos em julho, sétimo mês do ano, e com ele inicio a contagem regressiva para outubro.

Nesses quase dez meses que se passaram muita coisa aconteceu, tanto dentro de mim quanto no meu entorno. Tenho aprendido muitas coisas e tenho dado cada vez mais valora ao convívio, ao toque e ás atitudes. Estou chegando perto da realização de um sonho de amor, de um desejo muito grande do meu coração que é o renascimento para o meu orixá.

Nessa caminhada, que sei que está somente no início, tenho tido o carinho e o apoio de pessoas maravilhosas, pessoas que eu nem conheço pessoalmente mas que têm me suprido de um carinho e de uma força sem igual. Pessoas que estão, mesmo que de longe, torcendo por mim e aguardando esse momento tanto quanto eu. Pessoas que sabem o quanto tenho aguardado esse momento.

Hoje decidi compartilhar com vocês um pouco do que já tenho para a minha iniciação e um pouco do que ainda falta.

Basicamente meus irmão, só faltam as comidas secas e os bichos, que são item que só vou adquirir mais perto de entrar. Falta comprar ainda algumas miudezas como favas, idés e outros elementos que irão para o assentamento do meu orixá. O meu enxoval já está sendo confeccionado pelo @cordaodouro que faz um trabalho incrível e já tem até um pacote completo para os futuros iaôs. Também nesse tempo pude juntar um pouco de dinheiro que será utilizado para fazer as compras da casa enquanto eu estiver recolhida.

 Tudo está sendo milimetricamente direcionado pelos orixás para que minha obrigação transcorra sem nenhuma preocupação.

Nesse tempo pude pesquisar preços, foram muitas idas ao mercadão de Madureira, muitas pesquisas na internet e muitos achados incríveis. Dentro do mercadão posso citar a loja Oxalá Rei dos Orixás, que além de um atendimento maravilhoso tem preços ótimos. Fora do mercadão tem a loja Barakesan que fica na galeria da angolanas, e tem os melhores preços em miçangas e outros acessórios. Para a confecção das roupas de ração e do orixá, eu super indico o @cordaodouro que tem preços super acessíveis e, como falei antes tem um pacote para o futuro iaô que é super completo. A loja Mundo dos Orixás, também dentro do mercadão de Madureira, conta com uma ótima variedade de cristais, pedras e favas, e a palha da costa nacional deles é de excelente qualidade.

Enfim meu povo... 

As coisas estão bem encaminhadas, mas ainda faltam detalhes que devo finalizar nesse tempo que falta.

Na próxima postagem vou tentar colocar aqui alguns preços que acho bacana compartilhar, ate mesmo para que vocês possam se basear para comprar.

Um abraço a todos e axé!

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Discussão literária II

Bom dia, boa tarde e boa noite Irmãos de fé!

Continuando nossa resenha sobre o livro O Candomblé bem explicado, hoje falaremos sobre o surgimento do candomblé no Brasil.



De acordo com estudos históricos realizados, hoje sabemos que os primeiros grupos de negros a chegarem aqui pelas mãos dos traficantes portugueses foram os Congoleses. Muitas das vezes esses grupos eram rivais, étnica e culturalmente e, no meio de suas disputas territoriais acabavam sendo presos e traficados.

Do Benin, antigo Daomé vieram os Fons. Do Togo, os Ewes. Da Nigéria, Ilexá, Oyó, Ketu, Abeokutá e outras, vieram os Iorubás e com eles, muitas famílias reais negras. E esses povos trouxeram consigo um pedaço da sua cultura, da sua crença e da sua religiosidade, criando aqui no Brasil o candomblé.

Para que pudessem manter aqui em nossa terra predominantemente católica o culto ás suas divindades, os negros precisavam camuflar essas deidades de forma que o senhor branco pudesse acreditar que ali estavam sendo cultuados os santos católicos. Surge assim o sincretismo religioso.

Desses grupos escravizados que aportaram em nossas terras, alguns se concentraram em regiões específicas. Os bantus se espalharam mais pelos interiores dos estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, Espirito Santo pois no interior desses estados a produção cafeeira e de cana de açucar era maior e necessitava de negros mais fortes devido ao trabalho braçal. O iorubás, fons e savalunos se concentraram mais nas áreas urbanas dos estados do RJ, SP, BH, PE e MA. Por serem negros de uma porte mais "civilizado", eram preferidos como companhias e muitos como caixeiros viajantes a mando de seus senhores.

Veja que, durante a época escravagista os negros, dispersos que eram de seus grupos étnicos, procuravam de certa forma recuperar as relações tribais com os demais negros. Aos poucos foram assimilando a língua local e foram aprendendo o "modus operandi" de viver do branco. Desses grupos, os que mais tiveram dificuldade em assimilar o idioma aqui utilizado foram os Bantus. Eles se comunicavam preferencialmente em sua própria língua mãe e procuravam organizar grupos para confraternizar ou "zuelar" como eles diziam.

E diante desse contexto, o mais interessante é perceber que quando os escravos conseguiam se reunir para louvar suas divindades, mesmo que elas possuíssem nomes diferentes, naquele momento eles se irmanavam e o espaço se tornava um só! O culto era único pois era o momento sagrado em que eles podiam louvar seus deuses e, de certa forma, manter viva a cultura ancestral que eles guardavam em suas almas.

Fica a reflexão aí não é irmãos...

Se naquela época o negro, mesmo que pertencendo a outro grupo social e étnico se unia para louvar o sagrado colocando de lado todas as diferenças que pudessem existir, porque hoje, nós, meros e humildes descendentes de um povo tão guerreiro e tão sábio, insistimos em querer impôr que essa ou aquela forma de culto é melhor?

Porque ainda insistimos em querer transformar nosso culto em um desfile carnavalesco, deixado de lado por muitas vezes a real essência do orixá?

Fica aí a reflexão.

Na próxima postagem trarei um pouco sobre as dificuldades de manutenção do culto religioso negro em nosso país.

Até a próxima!

Axé!!!


quinta-feira, 10 de junho de 2021

Discussão literária

 Bom dia, boa tarde e boa noite queridos irmãos de fé!

A partir de hoje, sugerida que fui pelo meu esposo, vou trazer para vocês algumas discussões sobre livros que abordam a temática da nossa religião.

O livro em questão é: O candomblé bem explicado - Odé Kileuy e Vera de Oxaguiã


Vamos começar nossa análise do livro, ponto a ponto, partindo do primeiro capítulo. O livro possui 26 capítulos bem esmiuçados e esse capítulo fala sobre o candomblé. Nele poderemos entender alguns aspectos da religião, como surgiu no Brasil entre outras coisas. Esse livro traz uma visão didática tanto para aqueles que não conhecem a religião, quanto para aqueles que a conhecem mas que, de alguma forma ainda têm questionamentos sobre oque e como praticamos.

Vamos à análise!


Cap. I - O candomblé

Podemos dizer com propriedade que o candomblé é uma religião exclusivamente brasileira. O que conhecemos pelo nome de candomblé nada mais é do que a herança cultural dos negros que foram trazidos como escravos, agregada aos conhecimentos indígenas que já existiam em nossa Terra Brasilis. 
O candomblé pode ser definido como uma religião 90% prática. Podemos dizer que é uma religião que tem sim seus fundamentos teóricos (muitas vezes passados de geração em geração de forma oral), mas conta muito com a prática e vivência religiosa.
Ao contrário do que muitos pensam - e dizem! -  o candomblé é uma RELIGIAO e não uma SEITA. Só para compreendermos, seita define um grupo de "desgarrados" que se separou da religião com o propósito de criar outra religião. Já a palavra religião é advinda do latim "religare", e tem o propósito de reconectar o ser humano com a essência divina. Só que no candomblé nós nunca nos separamos do nosso Deus, e sim, somos uma religião monoteísta que acredita em um único Deus - Olodumare, Olofin, Obatalá, Zambi, etc. - porém, temos os seus "intermediários" que são os orixás.
"O candomblé, apesar das modificações, não sofreu mudanças muito profundas nem radicais em suas tradições, seus dogmas e, principalmente, nos fundamentos deixados pelos nossos mais velhos. Suas modificações foram mais pragmáticas, no sentido de ter que se fazer aceitar em uma nova sociedade, procurando ambientar-se tanto na parte humana quanto na parte religiosa. Precisou adequar-se e buscar novos elementos a partir dos quais conseguisse reconstruir todo seu entremeado de relações litúrgicas. A religião, no Brasil, se integrou, se adaptou e floresceu ainda mais, porque aqui encontrou uma natureza exuberante e uma grande diversidade de elementos necessários à sua existência." (op. cit. p31)
 

Atualmente, a maior necessidade do candomblé é que seja reconhecido de fato como religião, tal como o catolicismo e o kardecismo a exemplo. Não somos escravos de um Deus por exemplo, bem como não temos simbolismo do bem e do mal (anjos e demônios). Possuímos regras sim porém, como nossas divindades são dotadas de características muito humanizadas, essas regras podem ser moldadas de acordo com a permissão deles.

Sabemos que, ainda hoje, o candomblé assim como as demais religiões afro-brasileiras passam por reformulações afim de se adaptarem a atualidade e, com isso acaba-se por gerar também algumas "invencionices", e aí é onde nos questionamos: Até que ponto precisamos mudar? Até que ponto precisamos fugir daquilo que nos foi deixado de herança pelos nossos antepassados para nos adaptarmos à atualidade? 

Essas meus caros irmão de fé, são perguntas que devemos nos fazer diariamente, desde o abian (como eu) até os babás, yás, dotés, donés, tatetus e mametus. Isso para que não incorramos na problemática de transformar nossa religião num circo ao invés de perpetuar a verdadeira essência do culto aos orixás.

Muito obrigada pela sua companhia e, até a próxima postagem!

Culto ao orixá

 Bom dia, boa tarde, Boa noite queridos irmão de fé.



Sei que já tem algum tempo que não trago nada por aqui porém, no último final de semana passei por um fato inusitado que me fez refletir e repensar sobre nossa forma de viver o culto ao sagrado, o culto aos nosso orixás.

Eis que estava em casa trabalhando e decidi, ou melhor, senti a vontade no coração de fazer uma visita a cachoeira, reduto sagrado de Yá Osun. Decidi comentar com um grande irmão de caminhada que, logo de pronto, topou a ideia pois também já estava com vontade de ir a cachoeira.

Assim feito, tudo decidido, partimos rumo a cachoeira do Mendanha e, quem já foi, sabe que é um lugar de difícil acesso e com uma trilha bastante íngreme e, de certa forma um tanto perigosa até. Fomos pela trilha ele, eu e os dois filhos dele, um rapazinho de 14 anos e sua pequena de 6.

Ao entrarmos na trilha pedimos licença a Ossãe para que nos deixasse entrar e sair com segurança, uma vez que a trilha atravessa a mata densa do maciço do Mendanha, pedimos também proteção a Oxossi para que nos guiasse, pois ele conhece tão bem quanto Ossãe todos os caminhos, as indas e vindas e todos os perigos da mata. Feito isso, ingressamos na trilha entrando mata a dentro rumo a cachoeira.

Começamos a trilha por volta de umas onze horas da manhã e, chegamos a cachoeira umas 3:30 da tarde. Fizemos nossas orações, lavamos nossas guias e então partimos rumo a volta para casa. Novamente adentramos a mata para a a volta e procuramos voltar a passos largos. Ele e a filhinha andavam bem rápido porém, como eu tenho pouca resistencia na minha perna direita devido a uma acidente, andava um pouco mais devagar. Chegamos no meio da trilha eram já 05:20 da tarde, estávamos cansados da subido e mais ainda da descida porém, não podíamos parar e continuamos.

Quando deu por volta de 05:35 a mata se fechou, cerrou um breu como se já fossem 8 da noite e nos vimos sem conseguir enxergar mais muita coisa. Dois adultos e uma criança no meio da mata! Por incrível que possa parecer não estávamos com medo mas sim, preocupados por estar com uma criança junto. Decidi por bem, ligar para o corpo de bombeiros pois estávamos somente com a luz do celular, oque de certa forma dificultava a nossa descida. O filho do meu irmão já tinha descido para encontrar a mãe, que não prosseguiu na trilha conosco devido ao fato de ser hipertensa.

Enquanto estávamos sentados na trilha e eu, me sentindo super culpada pedia mil desculpas ao meu irmão por aquele percalço, começamos a ouvir a voz do filhos dele gritando: "Pai!" "Pai" Cadê vocês!". Ao ponto que nós, cansados que estávamos, só conseguíamos responder: "Estamos aqui!" "Tá tudo bem!". O filho dele, junto com a mãe começaram a ficar preocupados com a nossa demora em sair da mata e pediram auxílio a um morador da região que, de pronto se dispôs a ir nos resgatar na mata.

Estávamos a 15 minutos de sair da mata mas, o cansaço e a falta de iluminação nos venceram. O senhor, nativo da região, subiu a trilha com o menino munido de lanterna e nos auxiliou na descida. Chegamos em baixo! Saímos da mata e agradecemos a Ossãe e Oxossi por terem nos protegido e, por terem enviado aquele senhor para nos auxiliar.

Resumo da história...

Embora tenha sido uma aventura inesquecível (e um tanto quanto bizarra, rsrs), saímos agradecidos por tudo num geral e aprendemos que a mata e a natureza como um todo precisam ser respeitadas. Cultuar orixá é cultuar a natureza em si! E procurar estar em contato com o verde, as águas, o vento e etc. E cuidar da nossa morada que também é morada dos orixás.

O nosso corpo e o espaço físico que habitamos são mais que sagrados! Ossãe nos passou um belo ebó (e nós passamos um belo susto!), mas no final de tudo orixá nos protegeu e nos amparou para que nada de mal nos acontecesse e saíssemos ilesos (embora cansados!) da situação.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Sobre estar em contato direto com o sagrado

 Olá irmãos de fé!



Depois de alguns dias sem escrever, decidi trazer para vocês um pouco do meu olhar, da minha percepção sobre a nossa religião.

Hoje, a Ana consciente diz àqueles que querem adentrar os segredos dos orixás o seguinte: se você não tem amor e nem responsabilidade, não entre.

Antigamente, a Ana diria: se você quer, faça.

Já ouviram o ditado "Tudo posso, mas nem tudo me convém!"? Pois é. Ele nunca falha! O candomblé é uma religião que te exige princípios morais que, se não vierem da criação, dificilmente serão aprendidos dentro da religião.

É uma religião aonde idade é sinal de superioridade, ande tempo de santo vale mais que os anos corridos. Uma religião aonde, o fazer por todos é a máxima. Aonde o orixá está sempre em primeiro lugar. Aonde se mata (bichos) para se ter a vida. Aonde abaixar a cabeça não é sinal de inferioridade, mas de humildade e dedicação.

Oque se vê muito por aí são pessoas querendo ser mais do que são, querendo ser maiores até do que o próprio orixá. E isso pra mim é muito triste.

Esse dias por exemplo, eu tive a seguinte experiência: um 'amigo' de anos, ebomy, me pediu uns livros emprestados e eu falei que tudo bem. Entre a leitura dos títulos ele começou a falar que aquela leitura não era pra mim porque eu não sou iniciada, que tinha informações ali que eu não podia saber. Que era uma leitura pra ele que é ebomy. Que eu estava querendo saber mais do que deveria. Que isso e aquilo...

E confesso que os comes dele me fizeram MUITO MAL. Não pelo que ele falou, mas o modo como falou. Como se eu estivesse errada em buscar conhecimento, como se as informações que existem naquele determinado livro fossem a verdade absoluta no candomblé!

Eu já falei em outras postagens, mas não custa repetir: POSSO LER MILHARES DE LIVROS, MAS SE EU NAO TIVER A PRÁTICA DA VIVÊNCIA DENTRO DO ILÊ AXÉ, DE NADA ME ADIANTA TODO ESSE CONHECIMENTO!

A diferença é que, com um pouco de informação você tem a possibilidade de questionar e, assim adquirir mais conhecimento ainda.


Não seja você o mais velho que faz o mais novo se sentir um lixo. Seja aquele que educa, que orienta, que apoia e que ensina para que o iaô seja, no futuro um ebomy que também ensina, orienta e educa também.


Axé!



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Um pequeno desabafo...

 Olá irmãos de fé.

Um pequeno desabafo porque eu preciso deixar isso em algum lugar, que não seja no meu coração guardado.

Não é porque eu estudo, que sou curiosa e quero sempre aprender que eu estou querendo ir à frente do que me é permitido. Não é porque eu busco conhecimento em livros que eu vou me intitular a sabedora de tudo e querer ir contra o que meus mais velhos me falam. A cada oportunidade que eu tenho de estar no meu barracão com os meus mais velhos eu vejo o quanto eu não sei de nada!, O quanto sou pequena e, o quanto o conhecimento teórico sem a prática e experiência é vão.

Eu não sou e nunca vou ser arrogante só porque eu leio e, consequência disso e da minha boa interpretação, acabo aprendendo algumas coisas. NUNCA, nunca eu vou entrar no meu ilê de nariz levantado, achando que sei tudo e querendo fazer tudo por conta própria. EU SEMPRE vou abaixar a cabeça para os meus mais velhos... SEMPRE!!!

O conhecimento me permite perguntar para então, aprender. Sem conhecimento e estudo você não pode jamais perguntar algo pois, corre o sério risco de ser mal interpretado e falar besteira. Pelo menos, com o mínimo de conhecimento você se torna, ao menos, capaz de abrir a boca sem falar m***a.

É extremamente desagradável alguém te dizer como agir e o que fazer sem que você tenha perguntado isso. Eu amo ler... independente da leitura, eu AMO LER! Mas se eu posso unir o útil ao agradável, porquê não fazê-lo?

Estou muito chateada, mas precisou isso acontecer para que eu abrisse meus olhos e compreendesse mais os ensinamentos dos meus guias e orixás.

Desculpem o desabafo...



Sobre ser, estar e permanecer

 Olá irmãos de fé!

Hoje eu quero trazer um assunto que, particularmente acho bastante complexo e, em certo ponto até delicado: a diferença entre ser, estar e permanecer.

Vocês devem estar se perguntando porque trago esse assunto se o intuito desse blog é falar sobre as minhas impressões e vivências até o dia da minha iniciação. Bom, esse assunto tem sido muito tangível pra mim desde que entrei para o meu ilê. E confesso que está sendo um assunto que muito me agrada quando posso falar pois, na minha cabeça e no meu coração eu já sei exatamente o que quero e, no que depender de mim, será sempre dessa forma.


Como eu sempre digo e morrerei falando, eu não estou no candomblé por pessoas mas sim pelo meu orixá, pelo amor ao sagrado e pelo chamado que sempre tive. Quem entra numa religião por pessoas corre o sério risco de, futuramente se decepcionar. Isso é fato! E é justamente aí aonde eu entro nas questões de ser, estar e permanecer.

Ser candomblecista, na minha visão, é ser alguém que ama e respeita o sagrado, que confio numa força imensamente superior à sua, que sabe se colocar em seu lugar, que tem amor para como o seu próximo e mais amor ainda para consigo mesmo, que sabe quando calar e quando falar, que tem cuidado consigo, com o próximo e principalmente com o sagrado. Ser, na minha visão, é escolher o seu caminho e ter orgulho da escolha feita. Ser, é não ter medo de confiar de olhos fechados pois sabe que está amparado/a e que, no momento oportuno a resposta aparecerá.

Veja que, isso tudo o que eu citei acima é A MINHA VISÃO.

Já estar é somente ir a um ilê para uma festividade, é "comprar" um jogo de búzios para saber o seu orixá ou para saber se você vai ter sorte no amor ou no emprego, é acender uma vela porque "alguém" disse que era dia do orixá tal... É não ter o compromisso certo. Você está candomblecista ou umbandista porque é moda, porque seu amigo é, porque o filho do irmão do seu amigo frequenta uma casa e te chamou. Você não tem o compromisso, porque não quer assumir a religião ou até mesmo porque não se identifica e só quer mesmo agradar àquele amigo ou conhecido que te convidou a ir no seu terreiro.

Novamente, isso que eu disse é A MINHA OPINIÃO.

Agora vamos ao permanecer...

Esse pra mim é o mais belo de todos! O permanecer fala de amor, dedicação, cuidado, carinho e muito mais. Permanecer é saber que, mesmo que um ilê seja formado de pessoas distintas ali está a morada do orixá. Mesmo sabendo que pessoas são pessoas e que, ninguém nunca será perfeito, você não vai se importar com isso e vai seguir a diante por amor ao sagrado. É saber que falarão mal da sua escolha, que falarão mal da sua casa, que falarão mal da sua vida, mas mesmo assim você nunca culpará seu orixá pelo que te acontece. É saber que, o seu babá ou yá é um ser humano como você, e ele/a não é responsável se as coisas não acontecem pra você mas você sim, é o UNICO responsável pelos seu atos e pelas consequências que eles trarão.

Se pararmos para pensar, o ser está intimamente ligado ao permanecer mas também ligado ao estar. Todos nós, em algum momento de nossas vidas já passamos pelo período de estar e decidimos, em algum outro momento, permanecer ou não.

Eu demorei muito anos para decidir permanecer, e não porque não quisesse, mas por N's outras questões que, inclusive, expliquei na minha primeira postagem. Hoje eu permaneço, e permanecerei até o fim da minha vida! Quero poder fazer pelo meu orixá o tanto que ele já fez por mim, e sei que, tudo o que eu fizer ainda será pouco para demonstrar a ele o tamanho do meu amor e da minha gratidão.


Axé!!!


Sobre a presença dos nossos guardiões em nossa vida

 Olá irmãos de fé!

Sempre passo alguns dias sem escrever, mas quando volto procuro sempre trazer coisas bacanas para vocês.

Hoje eu vou compartilhar um pouco de uma experiência recente que tive e que mostra como os nossos guardiões são vivos e presentes em nossa vida.



Final de semana desses eu fui para o meu ilê axé pois estamos em obras e, nessas situações toda ajuda é bem vinda. Óbvio que eu conto os dias para ter a oportunidade de estar em contato com  sagrado, colocar os pés no chão e agradecer de pertinho todas as bênçãos que recebo constantemente em minha vida. Bom...

Cheguei lá bem cedinho, levei pão para tomarmos café e esperarmos pai levantar para vermos as coisas. Enquanto conversávamos, pai chegou do meu lado e começou a fazer carinho na minha cabeça e, de repente ele grita " Laroyê Exu!". Eu me arrepiei dos pés à cabeça. E ele chamava e chamava, até que eu não vi mais nada. A única coisa que eu sentia era meu corpo fazendo movimentos involuntários e é só do que me recordo.

Quando voltei à realidade, tinha nas mãos uma lista de coisas para fazer e um recado, que pra mim não estava muito claro. Exu dizia que, em relação a determinada pessoa que ele chamou de "gordo", era pra eu não ficar mais segurando a pemba dele e ficar só ouvindo. Beleza! Quem me conhece sabe que sou meio lerda ás vezes então, não entendi o recado logo de imediato.

Passou. Dia desses um amigo meu de muitos anos veio em minha casa e, como nas demais vezes ele se sentou e começou a falar (ou melhor, reclamar). E falava e falava, e ia falando. Eu só ouvindo e pouco falando como sempre fiz. Sou o tipo de pessoa que não dá opinião nos assuntos a não ser que me peçam. Não gosto de opinar porque também não gosto que deêm opinião na minha vida, a não ser que eu peça. Então continuemos...

Daí ele falava e falava, e falava e falava como sempre fez, e eu só ouvindo. Acabou meu horário de trabalho e ele, igualmente foi embora. Eu senti que, quando tranquei o portão minha expressão mudou. Senti como se um Egum tivesse sentado nas minhas costas! Entrei e fui pra cozinha ver algo para jantarmos.

Resolvi fazer um macarrão que era mais rápido por causa da hora. Resumindo... O saco de macarrão escorregou da minha mão e espalhou macarrão pra todo lado. Fui fritar uns bolinhos de bacalhau, e pra variar, a cada bolinho que eu colocava no óleo era um "Puf!", parecendo que eu havia jogado água no óleo quente. Tudo desandando, mas mesmo assim eu fiz a comida.

Falei pro meu marido: "Vou acender um incenso e passar na casa pra ver se melhora porque eu estou me sentindo pesada.", e aí meu marido vira e fala: "Filha... o gordo!"

Quase chorei!

Naquele momento entendi o que o meu exu tinha me dito. Ele quis dizer, e isso vale para qualquer pessoa que entre na minha casa, que eu agora ia ficar por conta própria. Que ele não ia mais segurar os problemas que os de fora me trouxessem, que eu ia ter que aprender a falar!

Falar pra pessoa não reclamar, parar de ficar dando conselhos sem ser solicitada e etc. Ali eu entendi as palavras do meu velho. Pela boca do meu esposo!

Eu decidi compartilhar essa história pra mostrar o seguinte pra vocês: Seu orixá e seus guardiões e guias não te abandonam nunca, mas eles te educam! Te mostram que eles estão ali para te ajudar nos SEUS problemas, mas que você precisa aprender a se impor perante as pessoas. Você não é e nem precisa ser psicólogo de ninguém afinal, muitas vezes você tem os seus problemas e, as pessoas em vez de te darem uma palavra amiga vêm com conselhos de resolução.

Então irmãos, confiem! Orixás e entidades estão sempre nos orientando e mostrando o caminho a seguir. E nunca duvidem do que eles te pedem, afinal, você nem sempre vai saber o motivo daquele pedido de imediato.


Axé!!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

ESÙ não é o diabo e LEGBA não não é não é Pombogira!

 Olá irmão de fé!

Na terceira postagem de hoje eu trago uma questão muito comumente encarada pelos praticantes das religiões de matriz africana que são, a associação de Esù ao demônio e a de Legba à pombogira.

Esù


Vamos tratar primeiro aqui da questão histórica.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil trazendo os negros em seus navios para serem utilizado como escravos em suas plantações de café, em suas casas e etc, foi-lhes tirada a possibilidade de cultuar seus deuses. Os negros vinham nos porões dos navios com sua crença na cabeça, na alma, e escondida também nas imagens dos santos católicos (daí o termo "fazer santo").

Para dominar as terras que queriam, os cristão detentores da maior parte do poder à época, decidiram criar uma figura que causasse medo e fosse promotora da submissão. Sendo assim, foi criada a figura do demônio ou diabo, um anjo expulso do céu por querer se igualar à figura Divina. Um ser que, por sua ganância e ego imensos achou que poderia ocupar o lugar de Deus e, este em sua divina sabedoria o exilou no mais profundo da terra para que dali jamais saísse.

Vamos lá!

O cristianismo bem como o conhecemos data do séc. I, nascido numa região chamada Palestina por um homem chamado Emmanuel (o Jesus que conhecemos). Essa religião foi espalhada principalmente durante a expansão do império Romano. Tem suas crenças baseadas principalmente nas tradições judaicas, aonde se crê na vinda do Messias para salvação e redenção dos seres humanos.

Essa doutrina tem, aproximadamente, 2000 anos enquanto que, estudos apontam que as doutrinas mais antigas do mundo são a religião védica, o Hinduísmo, juntamente com o budismo e o culto ancestral africano (de onde o candomblé que conhecemos é derivado).

Dessa forma, se tratarmos por aspectos históricos é impossível mantermos a crença no diabo católico! Só por contar que a crença nos orixás data de aproximadamente mais de 5 mil anos...

Legba

Ainda nesse gancho, aproveito para dizer também que Legba não é pombogira!

Legba é um vodum daomeano, precursor da criação, associado ao movimento e aos caminhos. Seu equivalente é Esù nos candomblés de Ketu e Efon. Assim como seu correlato, Legba é um vodum que possui filhos assim como os demais orixás ou seja, assim como Bessén, Averekete, Gu e os demais voduns do panteão da cultura Jeje Mahin, Legba tem cabeças! Em algumas vertentes do cuto ancestral trazidas ao Brasil e à outros países como o Haiti por exemplo, Legba possui culto e liturgias próprias.

Já Esú, orixá também precursor da criação, é relacionado ao movimento, força, vigor, reprodução (não ao ato sexual em si, mas à reprodução propriamente dita), e também aos caminhos. Esù é o primeiro orisà a existir, antes mesmo de todos os outros, ele é o detentor primordial do jogo de búzios, concedendo depois à yá Osún. É ele quem se multiplica e começa o "povoamento" do espaço vazio que existia diante de Orummila.

Veja que, só pelas descrições acima é impossível comparar Esù ao diabo católico e Legba à pombogira justamente pela cronologia temporal. Assim como o diabo tem sua criação em data posterior ao culto de Esù, nossos guardiões Exus e Pombogiras são muito mais novos que Legba.

Espero ter esclarecido algumas questões a respeito de Esù e Legba. Qualquer dúvida que surgir, coloquem nos comentários e eu responderei com maior prazer!

Axé!!!


Falando sobre rumbê

 Olá irmãos de fé!

Continuando sobre o tema educação de axé, trago para você hoje a palavra de ordem: Rumbê!

 Observem a delicadeza dessa imagem. Uma pessoa mais velha de santo se abaixa e bate cabeça para uma pessoa mais nova, um herdeiro de axé. Essa é uma imagem se não rara, quase extinta de se ver. E é por isso que decidi permanecer no tema da educação e tratar sobre o rumbê. O rumbê vai muito além de "saber executar" tudo que é inerente ao sagrado, o rumbê é um conjunto de atitudes que são esperadas de um bom adepto.

Aproveito aqui para colocar bem a definição de Rumbê dada por Eduardo T'Ogun na página medium.com:

"Ser de rumbê também é ter postura.
É pegar numa vassoura para varrer o barracão, a cozinha, os quartos…
É manter tudo em condições de uso.
É lavar a louça suja na pia, secar e guardar.
É zelar pela ordem e pelo bom andamento da casa.
É lavar a roupa, os panos de prato, as toalhas de mesa…
É ter uma linguagem apropriada.
É tratar todos (adeptos ou não) com educação.
É ter um sorriso estampado no rosto.
É ser atencioso(a).
É guardar os preceitos.
É fazer as coisas antes mesmo de pedirem e não esperar que tudo esteja um caos para depois fazer.
É manter-se calado(a) quanto à conversas em que participou ou ouviu.
É respeitar a todos.
É deixar as dependências da casa impecáveis (cozinha, barracão, quartos, banheiros, quintal…)
É dar sua opinião apenas quando for solicitada.
É não fazer fofocas.
É incluir a todos na comunidade do candomblé, apresentando e sendo amistoso.
É ter empatia.
É ser resiliente, saber aceitar e dar ordens de forma respeitosa.
É impor-se com educação e ternura.
É saber orientar e ser orientado.
É levantar cedo e cumprir suas tarefas.
É tratar como gostaria de ser tratado(a)."

Essa definição acima explica muito bem o que é o rumbê. E aí eu te pergunto: existe rumbê nos praticantes e adeptos às nossas religiões?
Eu também respondo ao questionamento: depende, talvez, quem sabe.

Como eu falei na postagem anterior e ilustrei também na imagem, algumas pessoas ainda tem esse tão famoso rumbê mas o que vemos por aí constantemente é a falta dele. Triste...

Mas vamos lá!

Para terminar essa postagem, deixo aqui um texto de Luciene Reis que foi postado na página do Ilè Omorode Àse ÌyáOmi no facebook:

"Eu sou de KONDOMBRÉ. Não de candomblé dos eruditos, que alardeia excesso de fé nas redes sociais e acha que pode destratar quem guardou esse segredo e religião com tantas dores durante todos esses anos. Não sou de candomblé e sim de KONDOMBRÉ. KONDOMBRÉ de mulheres pretas semianalfabetas e guerreiras que abriram mão de muita coisa, pra que hoje se possa falar e ostentar contas com orgulho.
 
Sou de Kondombré de mulheres e homens retintos, de pés rachados, por que aprenderam que KONDOMBRÉ É PÉ NO CHÃO e amor por orixá acima de tudo. Sou de KONDOMBRÉ que importante é orixá e não pessoas arrogantes e que acham que porque estudaram, podem e sabem mais.
Sou de KONDOMBRÉ de mulheres que aprenderam a força da folha, a força da pedra, a força do vento na vivência cotidiana nos terreiros e não em Google, livros ou teses de mestrados. Sou de KONDOMBRÉ que preserva o sagrado. Que sabe que pouco é mais! Que reverência orixá por sua força e não pelo que veste. Que conhece segredo de orixá no abraço deste, nos movimentos que faz. Sou de KONDOMBRÉ preservado e aprendido com mulheres que sabe a qualidade e a força do orixá por seu Ilá. Orixá queira que um dia eu tenha essa sabedoria. Portanto, quando quiser ridicularizar essas na internet, aprenda primeiro a tirar uma folha, a conversar com o tempo, pedir força aos ventos que estão ai e sempre foi preservado por essas, sem a força da escrita como você considera “ correta”.

“Quero ver meus filhos com anel no dedo e aos pés de Xangô”, dizia mãe Aninha. Essa frase, expressa seu desejo para que chegássemos a universidade, não para ridicularizar os saberes destes, mas para que melhorássemos nossa qualidade de vida, sem esquecer ou disfarçar a herança DE TERREIRO. A escrita e o conhecimento acadêmico não chegou pra gente deslegitimar a essas. Ao contrário, esse conhecimento é para fazer com que seus saberes e diplomas aprendido da força da palavra, na caída dos búzios na maneira como se tira ou massera a folha, seja reverenciado.

Por isso, me orgulho de ser de KONDOMBRÉ. Sou de KONDOMBRÉ que usa ferramenta e deixa a atenção para orixá e não de CANDOMBLÉ que usa PARAMENTAS e deixa a atenção para o ego de quem o veste. Sou de KONDOMBRÉ que tem medo das “veia”, por conta da exigência destas. De KONDOMBRÉ que orgulho para quem chama ele assim, é ver um iniciado respeitando todo seu esforço para que ele possa fazer parte desta comunidade e não para ridiculariza-las como se o que elas fizeram até aqui não fosse nada. Sou de KONDOMBRÉ que tem o maior orgulho quando um iniciado cumpre os ritos religiosos, e mostra que foi iniciado(a) corretamente (tento fazer isso, ainda não sou o exemplo) e tem “rumbê”.

Sou de KONDOMBRÉ, porque é assim que se preserva o sagrado e não de CANDOMBLÉ que humilha as pessoas por ego e dinheiro. Sou de KONDOMBRÉ que a caída das sementes, traz a força e a energia necessária e não de CANDOMBLÉ que escarneia e humilha o outro. Então, preste atenção antes de ridicularizar, quem fala KONDOMBRÉ. Sua escrita erudita, não tem força pra caída do búzios ou da folha trazida em uma travessia de dor.
"

Texto de Luciane Reis
Raiz Ancestral


Axé!





Sobre comportamento de axé

 Olá irmãos de fé!

Hoje quero trazer para vocês um tema talvez pouco discutido entre os praticantes da Umbanda e do Candomblé: a educação de axé.



Observem bem a imagem acima...

Quando eu falo em educação de axé não digo a educação de falar por favor, com licença e obrigada. Eu falo de uma educação que vai muito além disso. Falo de hierarquia, responsabilidade, cultura, entre outros aspectos que são inerentes às nossas religiões e que, por muitas vezes são deixados de lado.

Em seu livro Introdução ao Candomblé, o babalorixá Caccioli de Ayrá fala, em uma das questões que, existem muito yawôs passando por cima de seu tempo de santo e fazendo coisas que não lhe saõ autorizadas. Eu vejo muito isso em algumas casas de candomblé aonde sou convidada a ir.

Não estou aqui tecendo críticas à nenhum desses ilês, mas sim aos yawôs que neles estão que, se esquecendo de sua condição de neófitos ainda querem tomar um posto que ainda não lhes foi atribuído. Exemplo clássico disso são os recém feito que tomam sua obrigação de 1 ano e saem de seu ilê axé em busca de outro que lhes dê suas obrigações de 3 e 7 anos seguidamente, na esperança de que isso os tornará ebomys e eles poderão então abrir suas casas de candomblé.

Você não dá aquilo que não teve! Essa máxima aristotélica é fato. Na minha humilde visão, um neófito que se comporta dessa forma jamais será um bom babalorixá ou yalorixá. Cada coisa vem a seu tempo em nossa religião. Para que você chegue à sua obrigação de um ano é necessário que você passe o seu resguardo da iniciação. Consequentemente, para que você chegue à sua obrigação de 3 anos é necessário que você tenha tomado sua obrigação de 1 ano e tenha tido o aprendizado necessário que esses 2 anos anteriores lhe permitem. E dessa forma para diante.

Muitos entram no candomblé e na umbanda já com a intenção de se tornarem sacerdotes mas, o sacerdócio em nossas religiões não é só questão de destinação mas também de merecimento e aprendizado. Muitos querem, mas pouquíssimos sabem realmente como ser. Acham que colocar a mão na cabeça de alguém, rapar-lhe os cabelos e fazer uma porção de rezas é simples! Ledo engano. Fazer santo na cabeça de uma pessoa, em determinados casos, pode custar-lhe a vida, a sanidade mental e, na melhor das hipóteses a dificuldade financeira.

Escrevo esse post na intenção de alertar àqueles que entram no candomblé ou na umbanda na intenção de pular etapas e já se tornarem babás e yás. NÃO FAÇAM ISSO! Além de denegrirem a imagem de sacerdotes que têm anos de conhecimento, vocês também põem em perigo àquelas pessoas que lhes entregam a cabeça! Pensem se vocês gostariam que fizessem o mesmo com vocês?

Vou deixar aqui abaixo algumas coisas que eu acho importantíssimas de serem lembradas constantemente:

1- Você só dá aquilo que tem. Então não tente pular etapas na esperança de se tornar logo de cara um sacerdote pois, fazendo isso você joga no lixo todo o conhecimento e tradições passadas ao longo de séculos;

2 - Um bom filho tem muito mais chances de ser um bom pai. Se você for um yawô dedicado, as chances que você tem de ser um bom sacerdote são infinitamente maiores;

3 - É perguntando que se aprende. "Ah, mas os meus mais velhos não querem ensinar!", insista! Através da visualização da sua força de vontade para aprender, tenho certeza que nenhum mais velho lhe negará informação;

4 - Seja próativo. Um bom yawô ou vodunce precisa ser próativo. Se oferecer para auxiliar nas tarefas do seu ilê não vai te matar e nem aleijar seus braços e pernas, ao contrário, ajudando você também estará aprendendo;

5 - Não queira saber de tudo. Falo isso no sentido de não querer ser sabichão, de lhe pedirem algo e você falar "Eu sei!". Não seja assim pois, com essa atitude você perde oportunidades preciosas de aprendizado;

6 - Respeite a hierarquia. Se você é abiãn, seja um bom abiãn e não queira ser mais que isso e assim sucessivamente. O seu tempo chegará e com ele todos os direitos e deveres também;

7 - Respeite os cabelos brancos. Na nossa religião, mais importante talvez que o tempo de santo é a idade cronológica. Os mais velhos são nossos ancestrais, estejam eles vivos ou não então, sempre respeite os mais velhos.

"Eu não sou detentor da verdade universal pois ela cabe somente a Deus, mas sou detentor da minha própria verdade pois é ela que guia meus passos para um amanhã melhor." (autor desconhecido)

Axé!

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O Igbin

 Olá irmãos de fé!


Nessa postagem decidi falar um pouquinho mais para vocês sobre o igbin.

Para aqueles que não conhecem, o igbin ou caramujo gigante africano (Achatina Fulica), é um molusco comumente utilizado no candomblé, principalmente nas obrigações destinadas ao orixá Oxalá.

Conhecido também como "Boi de Oxalá", o igbin é a sua oferenda preferida juntamente com o ebô.

O igbin  que se utiliza na ritualística do candomblé é adquirido em criadouros de moluscos e normalmente, o mais utilizado é o branco. Muitas pessoas questionam a utilização desse molusco em nossas ritualísticas devido ao potencial de transmissão de doenças porém, a utilização de moluscos em nossas religiões remete a tempos imemoriais aonde, a concha desses animais era utilizada como moeda de troca e possuía valor igual ou maior até do que o próprio ouro.

Abaixo as fotos do igbin e o tamanho a que ele pode chegar, sabendo-se que, em condições adequadas de criação ele pode ficar até maior.




Aqui, algumas informações sobre o Achatina fulica retiradas do acervo da Fiocruz.

"Achatina fulica é uma espécie de origem africana. Temos notícia de que a espécie foi introduzida no Brasil por meio de uma feira agropecuária na década de 80, no Paraná. No entanto, não consta registro de autorização de importação desse material no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O caramujo africano foi importado para consumo humano, como uma opção ao escargot. Este molusco é consumido principalmente na África e tem suas vantagens nutricionais, como ser rico em proteínas. Na feira realizada no Paraná, foram comercializados kits que incluíam a matriz com um número determinado de exemplares e livretos que ensinavam como iniciar a criação. A promessa era de lucro imediato. Porém, como o brasileiro não tem hábito de consumir este tipo de alimento, a demanda não existiu e os criadores soltaram os moluscos inadvertidamente na natureza, sem imaginar o mal que estavam causando."

Não vou discorrer aqui sobre ritualíscas pois, isso seria, além de fora da minha alçada um imenso desrespeito ao sagrado em nosso religião, visto que é necessário uma preparação minuciosa e diversos orôs para a utilização deste animal.

Axé!




Como fazer o cálculo do odu

 Olá irmãos de fé!

Na postagem anterior eu falei sobre o cálculo de odu, e nessa eu explico como se faz o cálculo. Mas é só isso! Cálculos podem ser explicados por qualquer um, mas a essência por trás deles somente um professor formado naquela determinada ciência poderá explicar (nesse caso, nossos babás e yás!).

Vamos lá!

O primeiro ponto a se esclarecer é que, no Brasil são utilizados somente 16 Odus. Esses odus são consultados, no candomblé, através do erindilogum ou jogo de búzios. No jogo de búzios quem "responde" é Esù, orixá responsável pelo movimento e comunicação. Existem outras formas de se sacar os odus que são, a saber: o opele Ifá e o jogo de ikins.

Esclarecido isso, passo à explicação de como se realizar o cálculo dos odus.

Primeiro você fará quatro linhas horizontais e depois as dividirá ao meio com uma linha vertical, como abaixo:

Nesse diagrama você deverá colocar sua data de nascimento da seguinte forma:


Feito isso, você faz o cálculo da coluna da esquerda e depois o da coluna da direita. Lembrando que, nenhuma das duas colunas o resultado pode ser maior que 16. Caso ocorra, deve ser desmembrado o número e somado.

Não compreendeu a explicação sobre o resultado ultrapassar dezesseis? É simples! Veja que na segunda coluna deu 23. Nesse caso precisamos desmembrar o número e somar (2+3=5). Viu!

Feito isso já temos metade do cálculo realizado. Agora faremos uma cruz e nas suas pontas teremos: Norte (em cima) - cabeça
Sul (em baixo) - pés
Leste (esquerda) - esquerda
Oeste (direita) - direita
Centro - núcleo ou placenta

Na cabeça e nos pés você colocará os primeiros resultados. Na cabeça o resultado da coluna da direita e nos pés o resultados da coluna esquerda.

Agora prosseguiremos para os outros resultados...
Para achar o odu da direita, precisaremos somar o resultado da cabeça com o dos pés (5+11=16). Lembrando que, em nenhuma das somas se pode ultrapassar o número dezesseis, e caso ocorra o numero deve ser desmembrado.


Para achar o odu da esquerda, devemos somar o resultado da cabeça com os pés e mais o odu da direita (5+11+16=32 - 3+2=5)


E por fim para achar o odu do núcleo ou placenta, devemos somar os resultados da cabeça com os pés, mais o odu da direita e o da esquerda (5+11+16+5=37 - 3+7=10)



Pronto! Esse é o cálculo dos odus que "regem" os seus caminho porém, agora é a parte mais dificil e a que exige muito preparo e anos de conhecimento e técnica do jogo de búzios... a interpretação desses odus em conjunto com as caídas do jogo.
Por isso que, pode acontecer de algumas pessoas terem o cálculo igual porém, orixás diferente e caminhos diferentes também!
Oque vai determinar o que precisa ser realizado, dentre outras coisas é o jogo de búzios!

Por isso irmãos, entendam que um cálculo é somente um cálculo para aqueles que não detém o conhecimento necessário para desvendá-lo!

Axé!







Cálculo do Odu

 Olá irmãos de fé!



Depois de alguns dias sem postar aqui, venho trazendo um assunto bem bacana.

Esses dias estive estudando sobre jogo de búzios e odus. Ah, mas aí vão falar: Você é uma abian, não devia estudar essas coisas! E aí eu pergunto: Porque não?

Jogo de búzios ou erindilogum é pura ciência! Para que um babalorixá ou yalorixá seja um bom olhador, ele/a precisa ter muitos anos de estudo e observação para entender e decodificar as mensagens que aparecem nas caídas do jogo. Eu apenas estou estudando os odus e suas influências no ser humano, suas características e como isso se encaixa no método divinatório.

Bom... a primeira questão com a qual me deparei foi o cálculo que muitos babalorixás fazem para se chegar aos seus odus. Esse cálculo é baseado em sua data de nascimento e, nele aparecem, em tese, os 5 principais odus que regem a sua vida. Porém, realizando essa pesquisa, descobri também que na Africa não se utiliza esse método. A descoberta do odu de nascimento é feita através de uma cerimônia específica que dura em torno de 3 dias, e nela o oraculista saca esse odu que é o "real" odu da pessoa.

Ah Ana, então você está invalidando a cabala que os sacerdotes brasileiros utilizam para se chegar ao odu da pessoa!? Claro que não! Eu estou apenas elencando aqui o que eu tenho levantado nas minhas pesquisas e, com isso ajudar a difundir e desmistificar a nossa religião.

Eu vejo da seguinte forma... Essa cabala que é calculada pelos babás e yás serve como um norte para a interpretação do jogo de búzios. O segundo ponto é que, se esse cálculo não servisse de nada ele não seria feito e, consequentemente, ensinado ás gerações futuras. Aí um amigo me fala para eu não romantizar a situação! Que fazer esse cálculo está errado e que, continuar perpetuando isso é mais errado ainda. Eu não discuto.

Eu não sou ebomi, não recebi meu oráculo, não fui ensinada a como manipular os búzios, enfim... Como falei acima, não acho certo querer invalidar uma coisa que é feita aqui no Brasil há séculos só por que na África não é feito assim. Acontece que aqui é o Brasil e não a África! Inclusive, o candomblé é brasileiro! Então, se o candomblé nasceu aqui e foi se adaptando à cultura e à regionalidade, porque querer invalidar isso?

Mas a questão é que, em meio a tudo isso e como estudante, eu aprendi a fazer o tal cálculo. E adivinhem o que eu descobri? NADA!!! Exato! Não descobri nada além de uma porção de números. E quando vi aquele monte de números fiquei pensando: E agora? E aí foi onde eu vi que, de nada adianta fazer essa cabala se você não souber entender o oráculo.

Muitos podem até ter achado que eu fui redundante em muitas questões mas, com tudo isso sabe o que eu quis dizer? Eu quis dizer que os nossos mais velhos são a nossa fonte de conhecimento e que, de nada adianta ler livros e estudar artigos, saber fazer cálculos e mais cálculos numerológicos se você não aprendeu a essência dos odus, como interpretar as caídas do jogo e mais... Se você não recebeu das mãos do seu babá ou yá o seu jogo e a permissão para utilizá-lo!

Axé!

Omoloko

 Bom dia, boa tarde, boa noite irmãos de fé! Hoje vou falar um pouco sobre essa nação tão bonita e que, há pouco tempo venho conhecendo: a n...